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Saturday, November 14, 2009

Living In The Shadows Within

Vivo dentro da escuridão dum pântano
Na sombra assombrosa das árvores fantasmagóricas,
Recolho minha historia nas folhas perdidas,
Que se encontram a meus pés desnudos.
Com as gotas das minhas restantes lágrimas
Poli-o folha a folha.
Desvendo as restantes letras, assim dispostas.
Tento dar-lhe um encaixo.
Faltam peças neste puzzle!
É por isso que sinto-me perdida.
Na minha própria sombra!

Fervilham no meu peito orquídeas vermelhas
Longe das rosas com espinhos que tanto adoro.

Em certas ocasiões transformo-me em tsunami,
Para depois converter-me em furacão,
Evacuando os demónios que me enclausuram a liberdade de ser eu.
Desaguando... Já queria eu!
Mas...
Nasce em mim um terramoto de pesadelos, quebrando-me em pedaços.
Entretanto, o silêncio é conta gotas.
Estou perdida na minha própria sombra!

Fervilham no meu peito orquídeas vermelhas
Longe das rosas com espinhos que tanto adoro.

Olho o horizonte lá ao longe
Não lhe posso tocar!
Imagino-me ser alvorada.
Ai, se gostava!
Para depois calmamente ser pôr-do-sol.
Brilhar nas águas do mar!
As feridas tocam-me para a realidade
Melancolicamente uma suave música de violino.
Entre as dores, sorrio,
Porque,
Fervilham no meu peito orquídeas vermelhas
Longe das rosas com espinhos que tanto adoro.

Thursday, May 7, 2009

A LÁGRIMA DO SOLDADO: OITO SÃO

I Parte

Ontem viveste enjoado como se duma gravidez se trata-se. Oito, são os meses acumulados em dunas de terror. O sol já alto, jaz em tua pele em flagelos alheios á luxúria da cama que deixas-te para trás.
São oito da manhã, oito badaladas, sem ritmo algum. Arrancas da memória o badalo que injectas em ti, uma vez que trabalha como calmante, ao pesadelo abraçado a ti.
... À pouco mais de oito meses, uma lágrima caiu... Já és soldado, juraste defender tua pátria, dos monstros e de contos sem fim. Essa foi somente uma lágrima de emoção a qual não faz mal ao ego nem ao coração.

Recrutaste, rompendo todos os obstáculos que se apresentaram. Marchas-te barbialçado, respiraste orgulho. Rasgando os medos, defrontaste o perigo com serenidade mas com alma de leão. Existiram barreiras impressionantes, alicerces de luta pela sobrevivência que jamais imaginaste triunfar. Venceste! Coroado de soldado, um escudo contra o inimigo.
... À oite meses atrás recebeste a noticia... Apto para combater o verdadeiro inimigo nos desertos cálidos, de gelo entranhado entre os dentes, onde as noites rugem no cristal que é diamante.
Abandonaste o que te era querido, e a luxúria que te cobria. És soldado, tiveste que partir.

Engomado na sabedoria, guarnecido em artilharia, com espírito de valentia. Foste ao encontro dum conto “d’as mil e uma noites.” Noites de dragonetes esvoaçando o teu cérebro, aventuras no leito, boiando no leite derramado extraído do peito; onde não existem dimensões muito menos corações. Czech Soldiers Pictures, Images and Photos
Bem vindo, conseguiste penetrar na auréola celestial do pesadelo real.
Consciente estavas na solidez da tua aprendizagem, nos muscúlos desprendidos, na tua força capaz. Se estavas! Acreditaste no dispor das tuas capacidades mentais e fisicas. Na palma das tuas mãos se podia encontrar uma a uma as regras da rudez. Alheio à cegueira da dor esfarrapavas as teias do sofrimento. A fragrância do medo nunca te enjoou.

Jamais te passou pela cabeça, que nesta guerra louca, remorsos de culpabilidade te podessem impotar a respiração. Nunca imaginaste poder sentir-se linhas de algofobia entrar de mansinho pelas córneas adentro, paralisando as entranhas, num continuamento de choque. Convulsões de dor arder no peito, a culpa a colar-se ás paredes da pele suada.
Não foi algo imagário pelo contrário, o teu calvário. Desabaste lentamente num choro desprendido de mil golpes com oito tenras almas vigilantes.
Dizem por aí que o Homem não chora ou não deveria de chorar, mas quando a dor esfaqueia o coração é algo difícil de controlar.

II Parte

Faz hoje um mês que começas-te a perder a vontade de viver. Se continuas-te nesta guerra, foi por obrigação, o juramento por ti abraçado e porque és soldado. O combate agora resume-se somente por tua própria sobrevivência. Não é por cobardia... Tua alma ficou enterrada no desabamento do teu próprio inferno.

Eram umas sete da noite, depois de caminharmos por horas a fio sobre as escaldantes areias do deserto. Eu, juntamente com três companheiros de batalha demos de caras com uma fantasmagórica pequena aldeia ou o que restava dela. Vigilantes, começamos nossa busca naquele deserto de escombros, abandonado.Whitehall Road Houses bombed Pictures, Images and Photos Depois de várias buscas, relaxamos um pouco, convencidos de que nos encontravamos sós no meio daquelas casas esqueléticas. No meio do nosso afrouxamento ouvi o som d’ um disparo, contíguo ao grito emitido por um dos meus camaradas. Num seguimento de tiroteio conseguimos alcançar o que parecia um velho poço, servindo-nos de barricada. Um dos nossos companheiros tinha sido atingido no ombro por uma bala. Agarrei uma granada sucessivamente a um dos meus colegas, as fizemos voar em trajectória ao alvo inimigo. O fogo cessou, dando sinais de que o projéctil explosivo tinha feito o trabalho esperado. Entretanto fomos testemunhar aos nossos olhos se o inimigo estava fora do alcance e ver de quantos se tratava. Quando cheguei há entrada do local e meus olhos avistaram algo, olhei escabrosamente ao meu redor. Entrei no inferno a partir desse momento. Caí ao chão, meus olhos se encheram de lágrimas doentias, que alimentaram aquele solo virgem. Vomitei a dor que se cravou a mim com seus monstruosos dentes, não podia acreditar no que fiz com minhas próprias mãos. Ali, diante a mim estavam oito inocentes almas despedaçadas aos bocados. Oito são, os meninos, as crianças, as que á poucos minutos haviam sido nosso alvo.
Não consigo perdoar-me, por tamanha maldade por mim cometida. Dizem que me defendi, que estes meninos eram soldados bem capazes como qualquer homem maduro da guerra. Mas digam o que disserem nada nem ninguém poderá dizer que eu não assassinei uma criança de oito anos sendo a mais velha não mais que doze anos. Estava bem preparado para esta guerra, mas era, pensava eu, uma guerra de adultos brutos. Child soldier Pictures, Images and Photos Usar crianças como escudo, é uma canalhada podre sem sentido e sem perdão. Como poder viver tranquilo o resto da minha vida se tirei a vida a oito seres inocentes. Como olhar nos olhos de meu filho de oito anos, quando voltar á luxúria do meu lar. Já lá vão oito meses que não desfruto da vida quotidiana, a que eu pensava que era modesta e simples. Agora dou-me conta que sempre tive tudo na vida, uma familia, um lar onde nunca nada faltou, sempre tive trabalho, um carro e fome nunca passei. Tive uma vida rica, com uma boa educação, nunca vivi os horrores da guerra e muito menos fiz parte dela quando ainda era um inocente. Nunca desfrutei a vida como um milionário mas que importa isso, se sempre vivi na luxúria da felicidade, dos laços de amor.
Pregunto-me dia após dia se terei perdão, se quando sair desta diabólica parte do planeta e entrar na luxúria do meu, se conseguirei alimentar o homem que era, o pai babado, e o marido amoroso, que sempre fui. Soldier Prays Pictures, Images and Photos
Não sei... não sei, se serei capaz... agora só me restam as lágrimas que meus olhos brotam cada dia que passa. As lágrimas d’um soldado.

Monday, December 22, 2008

Desabafo de Natal... ( a minha carta...)

Estamos em vésperas do Natal 2008, com o fim do Ano à porta, e não senti o Natal chegar a mim.
Minha data preferida desde que me lembra que faço parte deste mundo, este planeta chamado TERRA, foi sempre o Natal.
De criança a alegria era contagiante, a espera do Pai Natal era mágica, o concretizar de meus sonhos, nesse dia. A alegria de juntarmo-nos com a família era algo especial. Ver e estar com os primos que só víamos de vez enquanto era por si só Natal. Na noite de consoada lá nos preparávamos para o prato de costume de Portugal, o bacalhau com batatas e couves. Minha mãe e minhas tias lá faziam as rabanadas, filhoses e sonhos entre outros doces. De criança nunca passei o Natal em Portugal mas sim na Alemanha onde cresci, desde os meus dois anos e meio. Sempre ficou aqui no meu coração aquele tempo, aquela alegria e magia de compartilharmos a nossa amizade e amor com a família na noite e dia de Natal.Christmas mouse Pictures, Images and Photos
Depois da Ceia de Natal nós crianças vestíamos nossos pijamas. Os adultos nos diziam que eram horas de ir para a cama, que estava perto da meia-noite, o Pai Natal iria passar somente se estivéssemos a dormir. Lá íamos todos nós excitados sem poder pegar olho, mas sem antes deixar nosso sapato de baixo da árvore de Natal, um costume da Alemanha. Em nossos quartos tínhamos um despertador pronto a nos despertar à meia-noite. Muitas das vezes não chegávamos a dormir, pois tínhamos tantos segredos que contar uns aos outros. Outra vezes o cansaço era tanto que entre risadas e gargalhadas. éramos derrotados pelo sono. À meia noite tocava o tão esperado som, corríamos até à árvore de Natal para nos encontrarmos com nossos embrulhos, no lugar onde colocávamos nosso sapato. Os gritos eram canção de felicidade, pois o Pai Natal trazia o que tanto lhe pediámos. Muitas das vezes com as traquinices que fazíamos não estávamos seguros se o Pai Natal nos trazia o que tanto pedimos. Ter ou receber o que pedíamos era um alivio de conciência e bem-estar com nós próprios. Os anos passaram, e de jovem adulta, precisamente aos 15 anos, passei o primeiro Natal em Portugal. Foi bom, diferente, fora daqueles com quem sempre reparti o Natal. LETTER Pictures, Images and Photos Estava em família e era o mais importante, o que sabia bem. Agora já não eram os presentes o destaque de Natal. Mas o compartilhar de sentimentos, o estarmos juntos. O Natal sempre foi um dia especial em minha vida. Pois sempre senti as pessoas ao meu redor mais amáveis, seus sentimentos ocultos em outras alturas se derretiam sem darem por isso. O Natal é especial é o dia dos anos de Jesus. Todo o mundo é seu convidado de honra, por isso nos sentimos mais solidários para com os outros, mesmo aqueles mais frios e duros aquecem seu coração nesta época. Os anos passaram, aos 22 anos passei o primeiro Natal nos Estados Unidos, o primeiro fora da minha familia. Senti a pena, a tristeza, tocar ao de leve meu coração nessa noite e dia. Mas as crianças fazem milagres, e nessa altura já se encontrava comigo a minha filha de dois anos. Juntamente com as crianças, filhos de minhas primas, o Natal passei-o bem e feliz, apesar daquela saudade e magoa estar sempre presente. Sempre tentei, sempre o fiz, pôr a saudade debaixo de meu coração nesta altura, para não sofrer e estar feliz no meu dia preferido, o Natal. O tenho conseguido. Já lá vão 17 anos que vivo o Natal fora daqueles que mais amo, aqueles com quem sempre partilhei a felicidade deste dia.
Hoje, agora, faz 18 anos. Pela primeira vez na minha vida não sinto o Natal. Isto me dá uma grande tristeza, sem explicação. Bem, não é que não tenha explicação, porque sei bem o por quê. Só, o que não compreendo é porque me deixei derrotar perante sentimentos, saudades e não me entreguei ao meu Natal como sempre.